Categorias
Polêmica Time Machine

Sunmi X Tiago Iorc = Noir X Masculinidade: Quem tentou quebrar mais o tabu?

Entre o conceitual e palhaçada, quem mais tentou ser cringe, como diria os xóvens?

E aí, meu povo, como estão? Bora fofocar sobre as novidades e aproveitar com um time machine?

Sunmi é uma solista que hoje tem um passado não tão distante polêmico devido a sua participação como mentora no Girls Planet 999. Disso, essa música dela envelheceu como leite ao sol, porque como ela vai fazer uma reclamação de algo intrínseco na sua própria indústria e ainda cresce com isso?

Noir é um hino de música, a faixa tem um crescendo nos sintetizadores, ela trabalha com um dark pop bem intenso, mesclando o EDM com o dance-pop, que remete mesmo a toda a carreira dela, então ela trabalhou bem a música como estrutura como toda. E pensando que era mais uma música promocional para o aniversário dela ou início da turnê que ela faria, então não precisava ser tão comercial assim.

Mas falando do que importa, sobre letra e MV. A faixa fala sobre a forma como as pessoas se portam nas redes sociais, como elas fazem de tudo para chamar atenção, e isso reflete no clipe, em que ela faz de tudo um pouco para ter inscritos, ter fama, de tudo. Realmente, perpassar os limites para conseguir essa fama.

Não é a faixa mais inventiva da Sunmi, ela trouxe modelos de faixas muito mais emblemáticas buscando estilo que conversassem com a moda, mas também com a sua persona. É uma faixa interessante, tem uma letra forte e uma mensagem forte.

E temos também o Tiago Iorc, um rosto e voz da MPB Brasileira mais atual, um cantor meio indie que faz sucesso e tals (OBS: Vamos pensar que MPB é Música Popular Brasileira, então até Ludmilla é MPB com os funks dela e a Pabllo com os brega, não apenas Caetano e Gil). Disso, ele some do nada e volta com algum álbum para dizer que reinventou a roda no quesito conceitual e conscientizador.

O álbum anterior dele, que saiu na mesma época que Noir, também tinha as mesmas características, falava sobre as redes sociais e bola para frente, era real um ponto a ser falado.

E agora com Masculinidade, ele trouxe uma mensagem sobre a masculinidade tóxica, em que ele remete tudo que os homens passam para serem frios, calculistas, que não podem chorar e tals, tudo aquilo que já passamos como homens, não pode ser afeminado, não pode usar rosa e toda a babaquice de homem que existe por aí.

Disso, o MV é bem simples, é um fundo branco, ele fazendo dança contemporânea estilo aos clipes da Sia com a menina lá, é ele careca, sem camiseta e uma calça a la Goku do Dragon Ball. Realmente é um clipe nada a ver com a letra ou a música.

Eu real achei a melodia interessante, é simples, remete muito ao ritmo pop com capoeira, eu real senti essa vibe. O problema foi o refrão que eu achei desconexo, que não tem nada a ver mesmo, fora que a letra desaparece apenas focando “Foca na sua saúde”. Certo, importante, mas poderia ter sido mais específico.

E então, quem foi que mais quebrou o tabu?

Realmente chegar e falar que um foi mais conceitual, outro foi mais atemporal, outro não sei o que é algo que eu poderia dizer que foi a Sunmi por ela ter tido um MV decente, algo que indicasse o que ela gostaria de falar, ela mesclou visual com sonoro e tudo o mais forte e possível de todos, mas não é real a minha intenção.

Claro, Sunmi sai na frente por 1) estar na indústria e sobreviver das aparências, 2) ter essa mentalidade, mas também saber criticar sem parecer um vazio e 3) é válido qualquer reclamação, desde que seja com embasamento e sobre o que você deseja passar.

Por ser um single promocional, sem muita divulgação, ela imagina às criticas, porém não imaginou que alguém faria um time machine sobre esse single depois dela no Girls Planet 999, que basicamente seguiu tudo ao contrário que essa música dizia.

Musicalmente, a faixa é forte, ela tem poder, mas o sentimento que ela passa é vazio por tudo o contexto da Sunmi e do que ela já falou. Nem toda a edição da MNet a obrigaria a dizer aquilo, mas podemos abrir os olhos, ainda Noir pode sair do sol e tentar renascer bem.

Mas e o Tiago?

Na atual situação, Tiago não tem um dos melhores hstóricos como homem, ele deu uma boa ferrada na carreira da AnaVitória uma época, então essa cicatriz ainda fica nela, nos fãs e nos fofoqueiros que acompanharam tudo.

E já que o Tiago quer confete e atenção sobre isso, vamos dar a ele o que ele quer. A faixa tem muitos erros. Ele achar que está destruindo a masculinidade frágil sendo um homem cisgênero héteronormativo, branco, bombado e só porque raspou o cabelo, uau, quebrou tabus igual celular nokia. Aliás, o homem é bombado ao ponto de dizer “Queria outro corpo, outra pica” na hora em que ele fala de pornografia é BEM forçado.

Eu sou uma pessoa que tem a seguinte concepção: eu quero criticar a sociedade em tal aspecto, eu devo usar dos meus privilégios para isso, mas fazer da forma correta. Ele poderia muito bem ter sido um espectador durante o clipe vendo uma dança contemporânea de pessoas fora dos padrões e que realmente reclamariam dessa masculinidade tóxica.

É ele em um fundo branco, não tem um preto, não tem um gordo, não tem um queer nessa joça, é ele querendo trazer um tópico importante, e que virou palhaçada na boca do povo, porque não foi feito da maneira correta.

Falo por mim, sou branco, sou homem e isso já me privilegia intensamente. Mas por ser gay já retrai, e não sou padrão magro, mas também não sou gordo, eu tô naquele meio, então eu sei do meu privilégio ou não dentro disso. Mas como usar os meus privilégios para dar voz as outras pessoas? Isso tem que ser claro quando fazemos as coisas.

Claro, eu também posso estar passando como hipócrita aqui por estar julgando, muitas vezes, trabalhos de mulheres, pessoas queers e tals. Hoje mesmo eu taquei a paulada no comeback do Twice, mas não elas falavam sobre amor não ser uma ciência, nada melhor do que zoar.

Tiago pegou numa ferida que mata pessoas até hoje. Realmente, pintar as unhas para muitos homens é O avanço, ainda mais em uma sociedade patriarcal como a nossa. Relembrando, a forma como ele fez que eu achei errado. Intenção foi ÓTIMA, mas faltou um tato e notar “Okay, sou altamente privilegiado, não seria importante eu usar os meus holofotes para dar luz a quem realmente precisa?”

E não precisa ir muito longe, uma cantora brasileira gravou um clipe com um homem preto e musculoso e disse que só o escolheu porque sentiu vontade de transar com ele, a problemática nisso. Ela usou do privilégio dela para dar holofote a uma pessoa que muitas vezes não teria chance, foi lá e disse que tinha outras intenções, estão vendo a problemática? Mas isso é pauta para outro post, eu falarei dessa polêmica uma outra hora. Afinal, tô aqui para palpitar mesmo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s