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Conceitual ou Farofa: o pop está realmente morto?

Acho que é de perder de vista quando o assunto é se o pop morreu ou não morreu. O mais curioso desse tema é que as pessoas, especificamente amantes de pop, é que eles conectam com aquilo que achamos que é pop, o estilo que Lady Gaga, Beyoncé, Kesha, Katy Perry e mais o resto de cantoras consagraram entre 2007 e 2013, ano específico em que a Gaga deu aquela decaída no quesito fandom. Entretanto, o que realmente é pop?

Pela ortografia ser a mesma em inglês e português, fica mais fácil saber que pop vem de popular, ou seja, aquilo que atinge um público maior em seu todo, aquilo que pertence ao povo. Dessa forma, pensando pela forma analógica do pop, desde o sertanejo, rock, eletrônico, tudo isso desencadeia o que hoje chamamos de pop.

Exemplificando creio que fica mais fácil fazer essa analogia. Por exemplo, Just Dance da Lady Gaga, lá de 2009, foi basicamente uma música eletrônica, com sintetizador e autotune em seus pontos, além de seguir com pontos de baixo elétrico e a base ser de bateria. Basicamente, houve uma mistura de EDM com rock.

Outro exemplo é Crazy In Love da Beyoncé, em que teve o instrumental uma banda de trompetes e saxofone, muito visto no jazz e no R&B, além dos pratos da bateria. Teve o break de rap do JAY Z, que trouxe o rap/hip-hop para o jogo.

Um lançamento mais recente, foi 7 rings da Ariana Grande. Mesmo com ela caminhando para o R&B como Dangerous Woman, ou o reagge mais superficial de Side to Side, ela nos entregou o trap para a cena do pop.

Três cantoras de épocas bem diferentes. Além disso, a cultura popular não é somente o que consideramos realmente pop. Por exemplo, por mais que a Anitta cante reggaeton ou funk, ela é ainda uma cantora pop, trazendo os dois ritmos para seus lançamentos, que estouraram pelo mundo, como Downtown e Vai Malandra, ou Veneno e Combatchy. Luisa Sonza, por exemplo, tem um estilo mais eletrônico, que é o que Garupa consegue entrar se formos dividir o estilo da música. Pabllo Vittar, por exemplo, traz os estilos nordestinos, como o tecnobrega de Amor de que, além de entregar o EDM em Sua Cara.

Pode parecer exagero, mas a cultura que consegue representar bem o pop atualmente é a coreana com o Kpop. Falando essencialmente da música, podemos dividir um mesmo grupos em diferentes estilos e conceitos, sem causar nenhum tipo de estranhamento. (G)I-dle, por exemplo, veio com um instrumental indiano com eletrônico em Latata, referência dark pop em Hann, tango e flamenco em Señorita, hip-hop em Uh-Oh e acordes épicos em Lion. Citando as rainhas do conceito, como Red Velvet. Tropical house em Peek-A-Boo, R&B em Psycho, EDM em Zimzalabim, Disco House em Umpah Umpah, além de outros estilo.

Obviamente que os fãs de pop de 2009 a 2013 não concordam com os rumos do pop atualmente (Como se alguém os obrigasse a ouvir o que os cantores atuais lançam e como se o pop de antigamente foi apagado quando Taylor Swift lançou Shake It Off e Dua Lipa com New Rules, mas okay). Agora, o principal rumo que ocorreu foi os chamados Álbuns Conceituais, que variam entre visuais, temáticos ou mais politizados. Um deles, por exemplo, foi o Lemonade, da Beyoncé, que, além de visual, que veio com um filme junto, tivemos músicas muito mais politizadas, como Formation, mas também algumas com a famosa indireta, como Sorry.

Além dela, tivemos Ariana Grande abraçando o R&B em Sweetner e Thank You, Next. Claro, a gravadora só deixou a mulher lançar dois álbuns em menos de seis meses porque sabiam que ela lucraria com isso. E, se repararmos, os singles oficiais não eram nada daquilo que o álbum propunha. Mesmo que No Tears Left To Cry; God is a womam e Breathin trazem mensagens profundas de empoderamento e de positividade, ou Thank You, Next; 7 rings e Break up with your girlfrien, ‘cause I’m bored com letras e ritmos chiclete, as demais músicas seguem naquele estilo que o pop mainstream não dialoga. Ou seja, ela soube usar músicas chicletes como single para atrair e aproveitou de sua fama e livre arbítrio para se abrir sobre seus sentimentos nas demais.

Melanie Martinez também veio com esse mesmo estilo, desde o Cry Baby como álbum visual e K12 com um filme junto, as letras possuem uma visão muito mais politizada a cerca da sociedade e do meio em que vivemos. The Principal fala sobre má administração, ela afirma que foi para o Trump a indireta, tivemos Orange Juice sofre bulimia e anorexia, Pity Party sobre ser excluída de seu círculo de amizade, Mrs Potato Head sobre a indústria da beleza e Dollhouse trazendo a família perfeito aos outros, mas caótica “por trás das cortinas”.

Claro, nem se “conceito” vive o pop, tivemos Dua Lipa, Zara Larsson e Anne-Marie com músicas extremamente chicletes na Europa, Demi Lovato e Selena Gomez nos EUA, seguidas por Lizzo e The Weeknd no R&B e Lil Nas X no trap. Agora, o engraçado é que esse pessoal é extremamente criticado por fazer o pop que o povo quer. Gente, Sorry Not Sorry da Demi, Taki Taki com a Selena, Juicy da Lizzo, Starboy do The Weenk, It Ain’t My Fault da Zara e Friends da Anne, todas elas seguem a linha do chiclete. Além deles, temos a Sia lançando trilha sonora a qualquer instante que, se trabalhadas como single, certeza que hitariam, temos o Kpop com BTS, BlackPink, Everglow, IZ*ONE, EXO, Chung Ha e Somi, e mais uma porrada de grupo e solista que debutam por mês (Eu vi que ano passado foram MAIS DE 50 GRUPOS NOVOS!). Não dá para entender o que realmente vocês querem.

Esses dias a Lady Gaga teve Stupid Love vazada, uns apontam que é descarte do ArtPop, outros apontam que é um lead single do próximo álbum (Pode mudar porque já vazou, né Gaga). Uns criticaram, outros gostaram (Eu aqui, exemplo!). SL segue a linha dance house anos 1980, tanto que muitos apontam esse estilo que a Gaga seguirá no álbum, assim como a Dua Lipa está no Future Nostalgic, seu segundo álbum de estúdio.

Como eu esqueci, tivemos a ascensão do Reggaeton, estilo latino que predomina nas Américas Central e do Sul: Shakira voltando às origens, Maluma, J Balvin, Daddy Yank, Karol G, Natti Natasha, Thalía e mais um monte de gente.

Depois disso, afirmo com toda a certeza de que o pop não morreu, ele apenas se adaptou perante a situação que estamos, especificadamente com a globalização. Ainda acho que vai demorar muito para acontecer no pop ocidental o que ocorre no pop oriental, como o Kpop. Se repararmos, lá é muito mais fácil a adaptação do estilo para a música do comeback, além de que a mistura de ritmos não é tão impactante assim (Até porque já é um costume, não como o Brasil que o povo cai matando em cima quando alguém muda o estilo de um CD ao outro, ou quando não muda também fazem o mesmo. Apenas decidam-se!). Bom, eu fiz essa análise perante o que eu acho, espero não ter ofendido ninguém, que não tenha causado uma enorme batalha no twitter, nem que o mundo tenha atingido o ápice da terceira guerra mundial por eu ter uma opinião que metade das pocs viúvas do Born This Way não gostam.

Bom, até o próximo post, bebam água e se cuidem.

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